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Transformadores

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Bacharel em Direito pela USP, assistente jurídico do laboratório de inovação do escritório Tozzini Freire Advogados (Projeto Think Future). Sou bacharel em direito (em breve advogado) e apaixonado por tecnologia. Concluí a graduação em 2020 pela Universidade de São Paulo, lugar para o qual pretendo retornar para uma segunda graduação em matemática aplicada e computacional com habilitação em estatística econômica ou bacharelado em ciência da computação. Tive a oportunidade de fazer estágio em lugares incríveis na interseção entre direito e tecnologia, dentre eles o iFood, empresa na qual trabalhei com proteção de dados, privacidade e relacionamento com autoridades públicas e, algum tempo depois, parti para o desafio de aprofundar meus conhecimentos em análise de dados e inteligência artificial. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Maior conquista foi passar na universidade e curso que escolhi e, em seguida, formar mesmo com várias adversidades no caminho. Também considero incrível ter auxiliado o iFood a fomentar iniciativas de diversidade e inclusão focadas em pessoas trans e travesti, principalmente o auxílio para a comunidade com, entre outros, reembolso da terapia hormonal. Maior desafio tem sido continuar crescendo na trajetória pessoal, profissional e acadêmica que construí até agora. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Por ter reivindicado minha identidade de gênero durante a graduação, o caminho até ali tinha sido mais tranquilo (apesar de ter sofrido muita repressão de vários tipos e bastante LGBTfobia durante boa parte da minha vida). A afirmação e reconhecimento da minha identidade nas instituições em que estava inserido foi razoavelmente pacífica, mas tive que correr atrás da burocracia da USP para retificar e-mail, nome na lista de chamada e demais procedimentos. Descobri, inclusive, que meu diploma só sairá exclusivamente com meu nome, sem o nome morto, depois de retificar o registro civil – até lá, os documentos internos à Universidade serão identificados apenas com o nome social e os externos (diploma e histórico escolar) com o nome social, seguido da expressão “civilmente registrado como”, e o nome civil. Tá aí uma pauta pra ser discutida e a prática mudada! Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Quando ouço frases como “não desista dos seus sonhos”, fico com a impressão de que o locutor parece não se dar conta, ou simplifica demais, o quanto é difícil manter objetivos a médio e longo prazo em pé, sobretudo para pessoas trans e travesti, que sofrem violência (e risco de morte ou de ser suicidado, infelizmente) em todos os âmbitos de nossas vidas. Prefiro abordar a situação de outra forma: na medida do possível, crie redes de apoio que possam te dar suporte (profissional, afetivo e mesmo financeiro) em momentos em que tudo parece perdido. É saudável dizer “não” a alguns projetos se você perceber que não vai dar pé ou que o objetivo não vale à pena. Cuide de sua saúde mental, faça o possível para não parar de estudar. Quanto mais de nós estivermos inseridos em espaços de privilégio e poder, mais vamos poder puxar os nossos para cima e lutar por maior representatividade, mais humanidade e empatia, mais direitos que nos são negados a todo momento. Não desista, não só por você mas também por mim e por todos que um dia terão você como exemplo quando você ocupar o que é nosso por direito. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Vocês não estão nos fazendo um favor ao criarem iniciativas de diversidade e inclusão, e utilizar pessoas trans como token para marketing de faixada e ampliar o público alvo e consumidor é uma atitude repugnante apesar de comum no mercado. Honestidade, verdade e inclusão real requerem prática e não só discurso. Caso estejam mais preocupados e interessados em ganhar dinheiro em cima das nossas histórias do que de fato nos permitir contar quem somos, crescer e mudar nossa (de toda a comunidade) realidade, por favor, repensem e comecem de novo. Remunerem os produtores de conteúdo e evitem nos convidar para palestras cuja troca é baseada somente em “visibilidade”, pois isso é desrespeitoso com nosso trabalho. Nos chamem para falar mais do que somente sobre diversidade – somos advogados, arquitetos, engenheiros, médicos, professores, programadores, e pessoas tão ricas em conteúdo e conhecimento quanto você. Que tal convidar um programador trans para falar sobre o foco de pesquisa e prática dele ao invés de incluí-lo em uma mesa sobre “mercado de tecnologia e inclusão de minorias”? E lembrem-se: tudo o que nós conquistamos é nosso por direito e ainda estamos muito longe de alcançar todo o espaço, valor, direitos e conquistas que merecemos. Não confundam assertividade, confiança, transparência e posicionamento com arrogância, como é comumente feito com mulheres, por exemplo. Nós sabemos nosso valor e iremos atrás dele sem aceitar menos. Deveríamos – e iremos – poder sentar na mesa com as mesmas condições de negociar e decidir quanto vocês, e lutaremos por isso também. TODAS MINHAS REDES ESTÃO NESTE LINK



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