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Transformadores

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Graduação em Direito, Pós-graduação (em andamento) em Direito Homoafetivo e de Gênero. Profissão: Advogado. Sou advogado formado pela Universidade Federal do Pará, atualmente Pós-graduando em Direito Homoafetivo e de Gênero. Enquanto estava na faculdade, trabalhei com direitos humanos, direito de família e direito penal na Clínica de Atenção à Violência – CAV/UFPA. Minha atuação era voltada, principalmente, para o atendimento de casos de violência doméstica e LGBTIfobia, cujas vítimas eram pessoas de baixa renda. Em meados de 2018 fui o primeiro homem trans a defender trabalho de conclusão de curso na UFPA. No final de 2018 me mudei para São Paulo, por ocasião da minha contratação para atuar em um grande escritório paulista. Entre janeiro de 2019 e junho de 2020 fiz parte do escritório TozziniFreire Advogados, tendo atuado como advogado de contencioso cível especializado, mediação e arbitragem e como embaixador de inclusão. No TozziniFreire tive uma experiência muito positiva. Por ser um escritório que participa do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, minha experiência trabalhando no TozziniFreire foi extremamente positiva. Eu era 100% “assumido” (com direito à caneca de bandeira trans e vários outros símbolos da comunidade LGBTQIA+ na minha mesa) e nunca passei por nenhuma situação de transfobia. Pelo contrário, durante o período que fiz parte do escritório eu pude participar de várias iniciativas de diversidade, inclusão e responsabilidade social – coautoria da “Cartilha LGBTI+”, do “Guia dos Direitos da Pessoa com Deficiência Intelectual”, participação em rodas de conversa sobre visibilidade trans, entre outras -. Em junho de 2020 decidi sair do escritório para buscar desenvolver um atuação exclusivamente direcionada apenas para pautas de diversidade, inclusão e responsabilidade social. Atualmente moro no Rio de Janeiro com a minha noiva e estou buscando me reinserir no mercado de trabalho e me capacitar cada vez mais para poder ajudar a construir uma sociedade mais igualitária, justa e menos preconceituosa. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Meu maior desafio foi enxergar o óbvio, perceber que as agressões não são apenas físicas, que Acredito que uma das maiores conquistas foi ter transicionado. Foram muitos anos aceitando as imposições da sociedade e me destruindo para tentar construir uma versão de mim que coubesse no molde cisgênero e heterossexual que me diziam ser o “correto” e “normal”. Então ter conseguido me colocar e à minha saúde mental em primeiro lugar para viver minha identidade da forma mais genuína possível foi uma luta que travei contra mim mesmo e contra todos durante muitos anos. A luta ainda segue, mas agora, pelo menos, eu estou do meu lado, não mais contra mim. O maior desafio, sem dúvida, é precisar provar incansavelmente que sou um profissional competente e uma pessoa boa para que pessoas e empresas transfóbicas não considerem a minha identidade de gênero algo que me faça indesejável, incômodo ou desimportante. E isso é ainda mais difícil quando eu faço questão de não me esconder atrás da minha passabilidade transmasculina. Eu não admito precisar ser lido como cis para que abram as portas para mim. Assim, quando as portas não são abertas, eu dou um jeito de encontrar a chave. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Antes de mais nada, é preciso reconhecer meus privilégios. Minha família me aceita e apoia. Isso faz toda a diferença. Mas, ainda assim, a vida não é igual a de uma pessoa cisgênero. Evito ir em médicos porque já tive várias experiências de transfobia, principalmente com ginecologista e endócrinologista. Então acabo negligenciando os cuidados com a minha a saúde para não passar por situações de constrangimento de violência LGBTIfóbica. Onde fica o direito à igualdade, à não discriminação e à saúde das pessoas trans? O banheiro também é uma questão. Apesar de ser passável, sempre que vou em banheiros públicos tenho medo de sofrer um estupro corretivo. Quando olho pra minha vida profissional a insegurança também é muito grande. O medo de meu próximo ambiente de trabalho não ser seguro e acolhedor ou de eu sequer conseguir voltar a me empregar por ser trans é enorme. Então, sim, ser uma pessoa trans ainda faz muita diferença e dificulta o acesso a direitos que são garantidos a pessoas cisgênero. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Entenda os espaços que você frequenta e busque espaços em que você se sinta seguro. Precisamos de emprego e dinheiro para sobreviver, então nem sempre poderemos priorizar trabalhar em espaços transinclusivos, diversos e acolhedores. Mas precisamos conhecer nossos direitos, exigi-los e buscar ajuda quando eles forem violados. E se você sente que há espaço e receptividade em seu ambiente de trabalho, tente desenvolver iniciativas que estimulem a diversidade e a inclusão. Grupos de afinidade, rodas de conversa, iniciativas de empregabilidade trans… Quando ocupamos e acessamos espaços que geralmente são negados a pessoas transgênero, precisamos tentar fazer com que mais dos nossos também cheguem lá. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Já passa da hora de normalizarmos as vivências e existências LGBTQIA+. Precisamos construir um mundo no qual todos possamos exercer nossa identidade sem medo, sem amarras e sem violência. Nossos corpos, identidades, genitais, afetos e expressões de gênero não dizem respeito a mais ninguém e não interferem na nossa competência e capacidade. Se o fato de ser trans me faz diferente em algum sentido é apenas no sentido de ter mais empatia pela dor do outro e mais vontade de mudar o mundo. INSTAGRAM LINKEDIN FACEBOOK



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