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Transformadores

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Fiz engenharia mas não me formei. Hoje trabalho como Data Analyst. Eu comecei a trabalhar na faculdade, dando aula particular de exatas e como monitor em cursinhos. Na época era muito difícil pois a faculdade era militar e um ambiente super machista e lgbtfóbico. Quando desisti e fui pro mercado de trabalho, comecei a trabalhar numa startup e aprendi tudo o que sei lá. Até programação, que eu reprovei na faculdade, comecei a fazer bem feito no trabalho, pois era aceito e respeitado. Lá trabalhei como BI (Business Intelligence), liderei um time de BI, passei pra parte comercial negociando diretamente com clientes e por fim trabalhei na parte de consultoria da mesma empresa. Ser acolhido e respeitado era o que eu precisava pra me dedicar ao máximo e crescer profissionalmente. Em 3 anos nessa startup eu tive estabilidade emocional e profissional pra juntar dinheiro e sair do país em 2019. Hoje moro em Sydney, na Austrália, e trabalho como Data Analyst numa FinTech. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? As maiores conquistas foram as pessoas atraídas pela minha trajetória. Muitos amigos LGBT+ dividiram suas histórias, dores e conquistas comigo, hoje tenho uma rede bem forte de pessoas que admiro conectadas a mim. O maior desafio foi a discriminação na faculdade. Eu sonhava em fazer o ITA desde os 12 anos, estudei muito pra chegar lá e me decepcionei profundamente com o ambiente discriminatório da instituição. Tomar a decisão de sair foi um grande desafio. Depois dessa decisão eu sinto que os desafios em relação a LGBTfobia foram menores pois a empresa que trabalhei era muito mais receptiva e eu conseguia me posicionar com mais firmeza em relação as pessoas preconceituosas que cruzavam meu caminho. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Com certeza foi um dificultador. Se não fosse a discriminação na faculdade, eu não teria evadido e teria me formado em Engenharia. Hoje em dia eu olho para essa experiência como algo que me tornou forte, mas não desejo pra ninguém nem acho justo que tenha acontecido. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Procurem uma rede de apoio, conversem com outras pessoas que entendem suas dores, principalmente pessoas que encontraram formas de superar essas dores. Tem uma música do Emicida que fala “10 vezes melhor pra ser tratado como igual, tô cheio. Mas se essa é a lei, problema é de quem faz 9,5”. Eu acho que isso representa bastante o que é viver fora da norma, devemos sempre fazer mais para sermos levados a sério e isso é injusto e frustrante! Mas, no fim do dia, a “regra” é essa. Devemos lutar pra mudar o pensamento de preconceituosos, é claro. Mas isso não vai acontecer do dia pra noite então é importante foco pra ficar “10x melhor”, ocupar posições de poder e visibilidade e carregar os nossos na subida pro topo. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Não esperem uma pessoa trans ou qualquer minoria chegar com o passo a passo de como erradicar o preconceito. Observem o mundo, percebam quem está nas posições de poder, quem está sofrendo, quem está estudando, quem está ganhando dinheiro etc. E usem a própria percepção pra diagnosticar o problema e agir em cima disso. Se um grupo não tem nenhuma pessoa LGBT, esse grupo deve se perguntar “pq LGBTs não chegam aqui?”. A partir dessas questões, desses incômodos, é possível trilhar caminhos pra inclusão. INSTAGRAM LINKEDIN



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