.

.

Transformadores

.

Post 152

.

.

Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

.

Estou cursando o segundo ano de Ciências Econômicas na USP e, atualmente, estou prestes a começar como estagiário da área de Inside Sales da Eureciclo.  Nasci e vivi, até meus 21 anos, na zona rural de uma cidade de aproximadamente 14k habitantes. Boa parte da minha infância e adolescência foi dedicada ao trabalho na mercearia e sítio dos meus pais. Sempre fui curioso e com disposição para o aprendizado, mas durante boa parte da minha vida, tentando evitar o convívio social, por vergonha em não me encaixar nos estereótipos de gênero, fui levado a desistir da educação formal após a tumultuada conclusão do ensino médio. No período em que me isolei das atividades, fiz diversos amigos na internet e buscando me encontrar e me sentir bem, me mudei para São Paulo, em 2018, para morar com alguns desses amigos, sem sequer conhecer uma metrópole. São Paulo me acolheu, o atendimento do SUS destinado às pessoas trans me deu suporte para uma transição mais segura. Uma vez assegurado meu acesso básico à saúde, pude me dedicar ao sonho de entrar em uma universidade pública e, em 2019, fui aprovado na FEA/USP. Após um ano de faculdade, fui contratado por uma grande empresa do setor de serviços, para ser estagiário na área de Responsabilidade Social Corporativa. Passei 6 meses no cargo e recebi uma proposta da eureciclo para um estágio na área de Inside Sales. Seguindo meu coração e confiante no aprendizado que adquiri no trabalho com os meus pais na mercearia e no último trabalho, abracei o novo desafio. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Os maiores desafios foram o acesso à direitos básicos como saúde, personalidade, educação e trabalho. E as maiores conquistas foram dar continuidade à minha transição com assistência médica especializada, realizar a mastectomia, ter meu nome reconhecido e respeitado, chegar à USP e, finalmente, o que eu tenho vivido agora, me sentir reconhecido no trabalho em um ambiente tão oposto ao que eu cresci. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Sem dúvidas foi um dificultador, principalmente tendo nascido e vivido a maior parte da minha vida em um local tão isolado, sendo o único homem trans publicamente assumido na região. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Não se cobrem tanto. Muitas vezes quando saímos de posições desprivilegiadas, é muito difícil acessar os mesmos espaços e locais que as pessoas que se enquadram no que é conhecido como o padrão. Não é possível falar de meritocracia quando a gente ainda luta por direitos tão básicos. Esse é meu recado, mas ainda é algo que estou em processo de aprendizado. É muito difícil lidar com a frustração de não atender requisitos de vagas e não ser valorizado, mas isso não é sobre a gente. Somos capazes de ocupar qualquer posição e espaço. A luta continua! Para a sociedade, qual recado você deixaria? Se permitam ir além das aparências, não precisam ter medo de pessoas trans. Não queremos ocupar os seus lugares, queremos conviver em harmonia nos mesmos espaços. Sigam pessoas trans nas redes sociais, valorizem o trabalho de pessoas trans contratando-as e reconheçam o valor que um ambiente diverso propicia. INSTAGRAM LINKEDIN



Compartilhar esta página
 

  • Whatsapp
  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn


Conteúdo relacionado
 

.

.