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Transformadores

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Post 195

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou produtora. Como a maioria de nós, passei por uma reviravolta para poder ser quem realmente era. Tinha uma empresa, e acabei me desfazendo para poder mudar de cidade e assumir a minha real identidade. Começando do zero, ainda sem retificar meu nome social, fui acolhida pelo ramo dos cabelos, onde fiquei até conseguir fazer a troca de todos os documentos. Quando isso aconteceu, achei uma vaga nos classificados pra barwoman, chegando lá, o recrutador disse que eu tinha o perfil de uma outra vaga, e lá fui eu para o Marketing! Alguns anos passaram a minha cirurgia de redesignação precisou de muitos reparos, então passei um tempo trabalhando como modelo e promotora de eventos, nessa época gravei um comercial fazendo o improvável papel de uma gestante ( 2007 eu tinha medo de contar para a agencia que eu era trans, pois sabia que nao haveria trabalho como modelo pra mim se soubessem). O tempo passou, e fui convidada para me tornar executiva da rádio em que eu era promotora. Um cargo importante, que cumpri meu papel com excelência. Alguns anos depois, resolvi dar um passo mais ousado, e produzir eventos, nesta profissão eu realmente me encontrei, fiquei mais de 9 anos produzindo os mais diversos eventos, pra as marcas mais incríveis, foi um sonho que me trouxe à São Paulo, e me fez brilhar ainda mais, e me dando oportunidade de realizar um sonho ainda maior, iniciar um curso de teatro. Com a pandemia, os sonhos foram interrompidos de forma abrupta, hoje trabalho como atendimento em uma agência de talentos, mas o sonho de estar do outro lado, só cresce à cada dia. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? O maior desafio da minha vida e carreira, foi me assumir como uma mulher trans, em função da passabilidade, vivi anos da minha vida fugindo dessa realidade, escondendo do mundo que havia nascido diferente. Eu tinha vergonha, medo da rejeição, medo de ser excluída mais uma vez daquele mundo, de ser vista novamente como uma aberração. Era uma dor que me consumia diariamente. Até que vim morar em São Paulo, e para minha surpresa, a primeira oportunidade de trabalho que surgiu, foi destinada a pessoas trans. Que realização foi poder trabalhar, ser respeitada, acolhida e aceita, do jeito que eu sou! E assim eu vivo à 3 anos, sem precisar esconder minha história, e tendo orgulho de quem eu sou. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? A dificuldade que encontrei, e que reflete até hoje em minha trajetória profissional, foi em relação a minha vida acadêmica, a escola era o lugar que me fazia sofrer, onde as pessoas eram mais cruéis, ir pra a escola pra mim era um sinônimo de sofrimento. Naquela época as crianças nao conviviam bem com as diferenças. Quando me assumi enquanto mulher, precisei me desfazer da empresa que eu tinha, e o dinheiro que sobrou, só deu pra fazer um curso de cabeleireira, e acabei abandonando a faculdade. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Lutem por seus sonhos, conquistem seus espaços, vamos mostrar para o mundo, que onde existe amor, não existe diferença Para a sociedade, qual recado você deixaria? Cada pessoa CIS que luta pelos direitos da população TRANS, é como se abrisse um espaço dentro do seu mundo de privilégios e dissesse “pode entrar, eu posso ceder um pouco do meu espaço , para que você possa existir e ser respeitade como eu sou” INSTAGRAM



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