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Transformadores

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou autônoma, doutoranda em Antropologia e assessora acadêmica. Meu primeiro trabalho foi aos 18 anos de idade em um Organização Não-Governamental (ONG) que atuava em comunidades rurais e periféricas com crianças, adolescentes e jovens promovendo incentivo a leitura, atividades arte-educativas e formação política. Em seguida, ingressei no curso de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN e decidi me dedicar exclusivamente aos estudos. Fui bolsista do Programa de Educação Tutorial (SESu) de meu curso, participei de grupos de estudos, monitoria, iniciação científica, etc. Como resultado desse engajamento acadêmico acabei conquistando a única bolsa de intercâmbio disponibilizada pela Universidade e fui cursar um semestre de Antropologia no Instituto Universitário de Lisboa. Na sequência me graduei e ingressei no mestrado em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, vivendo mais uma vez como bolsista (CAPES) e me dedicando exclusivamente a vida acadêmica. Terminei o mestrado no período da pandemia da Covid-19, e com isso fui afetada pelo desemprego (como os 14,8 milhões de desempregados atualmente no Brasil, segundo o IBGE). Com minhas habilidades acadêmicas me tornei autônoma e tenho trabalhado como assessora acadêmica, auxiliando pessoas na elaboração de projetos de pesquisa, TCC, artigos científicos, relatórios de estágios, etc. Recentemente fui aprovada no Doutorado em Antropologia Social da UFRN, mas pela ausência de políticas afirmativas para pessoas trans e travestis estou sem bolsa no momento, em detrimento também dos cortes que a educação pública vem sofrendo, do sucateamento das universidades públicas e do descrédito sobre as pesquisas acadêmicas, sobretudo, as realizadas por e para travestis e transexuais. A fim de expandir minhas possibilidades de emprego, reingressei na Licenciatura em Ciências Sociais na UERN, com objetivo de um dia me tornar professora e pesquisadora de alguma instituição de ensino pública no Brasil. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Quando se é uma pessoa trans ou travesti no Brasil, cuja estrutura sociocultural é marcadamente transfóbica e cisnormativa, as conquistas e os desafios se coadunam nos mesmo processos. Desta forma, as conquistas foram essas supracitadas e foi/é desafiador entrar e permanecer no Ensino Superior, principalmente quando se é uma travesti de origem rural, de classe popular e oriunda de escola pública, como é o meu caso (considerando que outros marcadores sociais fortificam essa exclusão, como raça, etnia, deficiência, geração, etc.). Ainda continua sendo um grande desafio acessar o mercado de trabalho formal, como toda travesti sabe, já que somos acometidas coercitivamente pela prostituição como única atividade laboral. Fiz alguns processos seletivos de emprego, mas ainda não obtive sucesso. Até lá, sigo me apoiando na esperança por dias melhores. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Não gosto de pensar minha identidade de gênero com um “empecilho” ou algo do tipo. A decisão mais genuína que tomei em minha vida foi me autoafirmar uma travesti. Embora a transfobia e a cisnormatividade retroalimentem a abjeção de minha experiência de vida, eu insisto em acreditar que ser travesti é algo que me movimenta a estar viva, batalhando e defendendo um mundo com maior compreensão sobre a diversidade sociocultural da humanidade. Portanto, ser travesti foi basilar nas trajetórias que estou trilhando, sobretudo, por me instigar a mostrar pra essa sociedade adoecida por um moralismo conservador, que TRAVESTI NÃO É BAGUNÇA (como eternizou Luana Muniz). Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Continuem batalhando e mostrando que não somos bagunça. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Parem de nos matar!!! INSTAGRAM Video de minha trajetória



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