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Transformadores

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Post 81

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Engenharia Metalúrgica e atuação como Assessora de Investimentos. Me formei em Engenharia Metalúrgica na UFMG em 2013, dando sequência a uma tradição de engenheiros metalurgistas em minha família (avô, pai e eu). Sempre gostei de matemática, mas a escolha da metalurgia fazia parte de grandes exemplos da minha vida em que eu agia pela inércia e para me adequar ao mundo, sem de fato tomar as rédeas da minha vida. Depois de 6 anos de trabalho em uma grande multinacional, me sentia perdida no mundo, principalmente por todas minhas questões transexuais não tratadas ao longo da vida. Após um período de desmotivação e falta de propósito, acabei saindo da minha antiga empresa e, com o dinheiro que tinha guardado durante anos, resolvi experimentar uma coisa nova que sempre me despertava interesse: finanças e investimentos. Neste tempo eu era autônoma e trabalhava de casa, já que minha nova atividade não requeria que eu me apresentasse para outras pessoas. Por esse motivo, tive tempo e paz para realmente tirar um período sabático e finalmente me aceitar como mulher transexual. Essa auto aceitação foi tão impactante na minha vida que a coragem de viver que adquiri me fez ter forças para viver minha vida como Natália e fazer uma mudança de carreira para atuar definitivamente no mercado financeiro. A partir dessa decisão busquei me especializar na área com um curso de pós graduação e a obtenção de vários certificados altamente reconhecidos na área. Durante a minha transição, não deixei que os medos que ouvia sobre a vida de pessoas transexuais me abalassem e paralisassem. Quis marcar meu lugar e provar para todos que uma mulher trans é tão normal e produtiva quanto qualquer pessoa heterossexual e cisgênera. Tais atitudes foram recompensadas e hoje atuo como especialistas de investimentos do Santander no Private Banking, segmento destinado à clientes de grandes fortunas. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? A minha maior conquista foi em realmente me transformar em uma pessoa autêntica e que não leva a opinião dos outros como o centro de sua vida. Os maiores desafios foram em relação aos medos e incertezas de quanto a transição poderia impossibilitar uma vida normal. Mas independente disso, temos que ter certeza que a felicidade é mais uma coisa interna do que externa, e que podemos ser recompensados buscando fazer as coisas certas e trazendo as outras pessoas para entenderem o processo e diminuírem sua ignorância, que é a mãe de todo o preconceito. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Foi dificultador num primeiro momento, mas percebi que essas barreiras eram mais criadas por mim mesma. Busquei sempre me capacitar para que os outros não tivessem argumentos racionais para me preterirem em relação à uma pessoa cisgênero e heterossexual. A maioria das pessoas foi bem receptiva comigo, até porque eu não me escondia e tratava a transexualidade com grande naturalidade Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Procurem se capacitar profissionalmente e pessoalmente, buscando o auto conhecimento para saber discernir os motivos das atitudes das outras pessoas: se os motivos têm a ver com os outros ou se têm a ver com você. Se tiver a ver com você, procure se melhorar. Se tiver a ver com os outros, faça seu melhor, mas tenha paciência. Deixe o universo tomar conta de coisas que você não consegue controlar de fato. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Busquem entender as pessoas LGBT a fundo. Entendam que a nossa sociedade é imperfeita e que paradigmas atuais podem não ser completos e injustos. Pessoas LGBT não são necessariamente perdidas na vida e não vão destruir a sociedade. INSTAGRAM FACEBOOK



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