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Transformadores

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou Designer Gráfico, mas em minha cidade há poucas oportunidades para a área criativa. Graças a iniciativa da TransEmpregos, tive conhecimento de uma vaga incrível pra minha área, que atendia justamente às minhas necessidades de poder trabalhar de home-office nesse período tão difícil. Em meu antigo emprego, em um hospital, precisava ir lá todos os dias, colocando em risco a minha saúde e de meus familiares, em um trabalho desgastante, no qual eu não recebia o tratamento que queria (ser chamado pelo nome correto), além de toda a pressão psicológica por ser o único profissional da área criativa em um meio que não compreendia nada do meu trabalho e o tratava como algo “simples, fácil”. Me inscrevi no seletivo dessa empresa que achei na TransEmpregos, a principio, sem muitas esperanças e motivado somente pelo que eu achei que era um “sinal” do meu espírito animal — ou seja, um lobo, o qual constava na logo da empresa qual decidi tentar o seletivo. Para o meu azar, fui hospitalizado na mesma semana em que deveria participar do seletivo, mas não quis desistir; entrei em contato com o responsável pelo seletivo, apenas para ter a incrível surpresa de que ele estava disposto a estender o prazo para que eu pudesse participar do seletivo após minha alta hospitalar. De início, já fui bem tratado, felizmente reconhecido pelo meu nome e tratado com meus pronomes de preferência, sendo acolhido por uma equipe absurdamente incrível, totalmente imersa na área criativa, de ótima convivência e que me tratou como parte da família desde o primeiro contato. Foram 3 meses com essa equipe incrível, compartilhando todas as nossas manhãs nas reuniões diárias através da telinha, construindo relações leves e divertidas. Até que surgiu uma oportunidade, também através da TransEmpregos, de ir para uma empresa bem maior, a multinacional Pearson. De começo, pensei que não iria passar, com certeza seria uma vaga concorrida e eu nem imaginei que conseguiria passar para a etapa da entrevista. Para minha grande felicidade, passei. E durante a entrevista, como disse minha própria gestora, eu e a equipe “demos match”. 2 dias depois, veio a resposta, através de uma ligação animada no fim de tarde e que foi impossível não reagir com pura empolgação: aprovado, começando na semana seguinte. Em menos de 6 meses, com muita dedicação de minha parte, mas principalmente muito apoio e oportunidades por parte da TransEmpregos, tive o prazer de formar laços incríveis com a equipe da Wolf Connection Comunicação, mas também de abrir asas e alcançar voos mais altos na minha nova jornada na Pearson. Espero que minha experiência profissional fique aqui como um exemplo e inspiração para todos os outros profissionais trans desse Brasil, para que saibam que sim, é possível, conseguiremos conquistar nosso espaço e respeito. Apenas tentem, não tenham medo! E se não conseguirem de primeira, continuem tentando. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Meu maior desafio em relação a ser um homem trans sempre foi o medo da discriminação, não apenas na vida de modo geral, mas no trabalho. Vivia uma vida dupla, onde os amigos me tratavam como eu desejava, mas no trabalho e em casa eu precisava aceitar ser chamado pelo meu nome de registro — por medo de preconceito, por medo de perder o emprego, por medo de me serem negadas oportunidades, por medo de ser tratado diferente pelos meus familiares. Era extremamente estressante, desgastante e apenas contribuiu para uma série de problemas comigo mesmo. Quando consegui vencer esse medo, alcancei apenas coisas boas. Um ambiente de trabalho mais saudável, o reconhecimento profissional e acadêmico como a pessoa que eu realmente sou, a aceitação por parte da minha família (sei que isso é considerado até um privilégio entre a nossa comunidade, tendo em vista o país preconceituoso que vivemos), além da oportunidade de conhecer tantas outras pessoas como eu, podendo influenciar e ajudar para que corram também atrás de seus sonhos, sem medo dos dedos que possam ser apontados para si. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Foi um dificultador, mais para mim mesmo que para os outros. Tinha tanto medo de assumir quem eu era por pensar que sofreria retaliação, mas felizmente me senti extremamente leve após fazê-lo e consegui ver que, às vezes, as coisas não são um bicho de sete cabeças. Sim, tenho muitas dificuldades e sei que muitas outras pessoas trans, bem mais do que imaginam, passam perrengues maiores que eu. No entanto, coloquei na minha cabeça que não posso permitir que essas coisas me desmotivem ou coloquem pra baixo. Quando consegui me assumir publicamente, para além dos amigos próximos, descobri que as coisas aos poucos se tornam mais fácil! Ou melhor dizendo, menos difíceis. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Independente do quão difícil seja, RESISTA e PERSISTA. Eu consegui e sei que outros também conseguirão, não podemos deixar de lutar e manter a cabeça erguida para conquistar o nosso espaço. Nunca deixe alguém ditar o que você pode ser, ou o que você pode alcançar. Você consegue o que quiser, basta persistir nisso, então não desista. Aos poucos nós, pessoas trans, conseguiremos conquistar nossos direitos, nosso espaço e principalmente o respeito que merecemos. Continue firme, por favor. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Um nome e a forma de tratamento de uma pessoa não diminui todo o resto sobre ela. Um ótimo profissional continuará sendo ótimo, seja ele João ou Maria. E não importa o que tal profissional tem entre as pernas, a ausência ou presença de seios, ou qualquer outra coisa que pra você represente o masculino ou feminino. O que importa é a competência profissional, a índole e caráter. Então, por que focar no que não diz respeito a você, ao invés de focar em tudo o que aquela pessoa é capaz e representa? Nós, pessoas trans, somos tão capazes e competentes quanto qualquer outra pessoa. Então, nos deem uma chance, pois a merecemos tanto quanto vocês cis e qualquer outro ser humano. Somos válidos, existimos e continuaremos aqui: persistindo, resistindo e lutando para que a nossa existência não seja silenciada pelo preconceito. INSTAGRAM



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