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Transformadores

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Post 113

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou Doutor em Educação, doutorando em Estudos de Cultura Contemporânea( ufmt), professor e ativista trans.  Sou filho de pais professores e isto foi, sem duvidas, impactante na minha vida. Minha família sempre teve como prioridade a minha educação e a de meu irmão. Minha história profissional começa ao ingressar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro para cursar Letras. Sou professor de língua inglesa e literaturas. Minha paixão pelo conhecimento sempre me levou além, embora eu tenha encontrado diversas dificuldades ao longo do caminho. Ao terminar a graduação, tive dificuldades de inserção no mercado de trabalho por conta da minha identidade de gênero. No ano de 2003, muito pouco se conhecia ou falava sobre transmasculinidades. Acabei trabalhando como barmen em uma tradicional casa de samba no Rio de Janeiro e também em uma hamburgueria gourmet na Barra da Tijuca. Influenciado por uma ex companheira que sentia que eu estava triate por estar longe das salas de aula, parei minha transição, me violentando, mas com isso, consegui ser inserido no mercado formal de trabalho. Pude voltar a estudar também e conclui uma especialização em educação a distancia, outra em gênero e sexualidade. Em seguida, em busca por respostas para as minhas próprias subjetividades, fiz mestrado em Ciências, um doutorado em Educação e atualmente, curso outro doutorado, em Estudos de Cultura Contemporânea, na Ufmt. Ao longo desses anos, só pude me manter, pois antes da minha 2a transição social, eu já era concursado do ensino básico no meu estado de origem. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? As maiores conquistas foram as de ter chegado a mestre e a doutor. Especialmente o mestrado eu sinto mesmo como uma conquista ainda mais especial por conta da temática investigada ( saúde transmasculina) e porque fiz na Faculdade de Medicina, um curso de excelência e muito desafiador para mim, pois era da área de humanas. Os maiores desafios foram e são os de me manter na universidade. Entrar foi difícil, mas permanecer tem sido uma luta constante, pois não há ações de politicas afirmativas ou campanhas que incentivem e apoiem financeiramente, para que a permanência de pessoas trans seja viável. Durante muitos anos sofri diversas discriminações nos ambientes de trabalho e nunca fui promovido. Assisti durante anos, colegas mais novos e menos experientes que eu, conseguirem as coisas rapidamente. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Sim, foi bastante dificultador porque o mercado ainda eh bastante fechado para a diversidade. As pessoas carregam uma cultura de gênero muito fechada e binaria. Ao mesmo tempo, me redescobrir trans e investir na minha 2a transição, já como um homem adulto, tem sido muito bom! Ter estudado e transicionado ao mesmo tempo, me permitiu me conhecer melhor, ter uma vida mais digna e ajudar muitas outras pessoas. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Lutem pelo o que já é nosso por direito e por aquilo que ainda não o é, mesmo que isso pouco ou nada te afete individualmente. Nunca se esqueça que sempre existirão pessoas trans precisando do seu, do nosso apoio. E para aqueles ou aquelas que estão com dificuldades de inserção no mercado, não desistam! Nem da transição de vocês e nem das atividades que amam. Procurem parcerias com outras pessoas instituições e organizações. Invista em você! Para a sociedade, qual recado você deixaria? Precisamos que vocês nos vejam e compreendam que o que solicitamos não são privilégios, mas direitos. Toda pessoa brasileira tem direito a dignidade. Ter acesso à educação e a um emprego, uma renda, significa também saúde para nós. Muitas pessoas trans são ou estão qualificadas para diversas atividades. O que nos faltam são oportunidades e respeito. INSTAGRAM



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