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Transformadores

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Mestra em Educação/Chefe da Unidade de Educação para as relações de gênero e sexualidades na Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco.  Mestra em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco. Licenciada em História/Especialista em História do Nordeste pela Universidade de Pernambuco. Bacharela em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente, coordeno a Unidade de Educação para as relações de gênero e sexualidades na Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco. Integro o Conselho de Promoção dos Direitos da População LGBT de Pernambuco e o Conselho Consultivo do Audiovisual de Pernambuco, atuando especialmente nas áreas de gênero, sexualidades e arte educação. Em todos estes espaços, assumi o compromisso de combater o genocídio que se faz presente no interior das instituições quando é esmagadoramente branca, masculina, heterossexual e cisgênera suas bibliografias, normas e discursos. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Como mulher, negra, transexual, pesquisadora, artista e educadora, tenho trabalhado a partir de uma rede de experiências que desafiam o que há de mais apavorante no cenário político nacional: o Bolsonarismo. Movida por lutas ancestrais travadas por muito suor e, às vezes, lágrimas, questiono o padrão ciseteronormativo por meio de ações cineclubistas desenvolvidas na rede pública de ensino. Envolvida pelo feminismo negro, oponho-me ao modelo de escolarização vigente compreendendo a educação como prática de liberdade capaz de “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe. Conquistei o Causos do ECA (2008), Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero (2012) e o Prêmio Naíde Teodósio de Estudos de Gênero (2009/2012/2016). Ao atravessar esta experiência negada à maioria das pessoas trans, me dei conta da necessidade de uma atuação profissional e acadêmica que venha problematizar questões ligadas às políticas de inclusão das diferenças nas instituições de ensino. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Compreender o meu lugar de fala nestes campos é refletir sobre processos de subjetivações demarcados por violências, reafirmação e negociação. O que meu corpo pode fazer? Corpo Protesto. Corpo em Pólvora. Corpo Manifesto. Marcado. Nunca derrotado. Vivo, revivo e sobrevivo dos movimentos e afetos. Enquanto a engrenagem que produz desigualdades e moralismos pré-estabelecidos estiver a todo vapor, terei na educação e na arte o remédio, o antídoto e o veneno. Construir paredes não vai me impedir de entrar Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Diante das mais diversas formas e estratégias de silenciamentos e apagamentos, não esqueçamos das palavras de Gloria Evangelina Anzaldúa: “Por que sou levada a escrever? (…) Escrevo para registrar o que os outros apagam quando falo, para reescrever as histórias mal escritas sobre mim, sobre você. Para me tornar mais íntima comigo mesma e consigo. Para me descobrir, preservar-me, construir-me, alcançar autonomia. Para desfazer os mitos de que sou uma profetisa louca ou uma pobre alma sofredora. Para me convencer de que tenho valor e que o que tenho para dizer não é um monte de merda. Para mostrar que eu posso e que eu escreverei, sem me importar com as advertências contrárias. Escreverei sobre o não dito, sem me importar com o suspiro de ultraje do censor e da audiência. Finalmente, escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho um medo maior de não escrever”. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Butler em sua obra “Quadros de Guerra” afirma que a existência de uma vida só é possível quando passível de luto e garantida por uma série de direitos, dentre eles o da educação. Ela lança algumas perguntas emergenciais: A quem pertence o status de “humano”? Quais corpos podem ser chorados? Quais mortes são sentidas? Quais violências são percebidas? É por meio da capacidade de comoção que as vidas começam a receber classificações de “merecedoras de luto e de proteção”, ou seja, as que não passam por esse crivo estão apenas vivas no campo do precário. Como isso reverbera na sua vida? Tens dado visibilidade a produção intelectual transvestigenere nos teus trabalhos? Tens contratado ou indicado pessoas trans e travestis a vagas de emprego? O desmonte das políticas trans te causa indignação ou só é mais uma “cortina de fumaça”? Noss@s corp@s estão presentes no teu ciclo de amizade? Caso contrário, este genocídio histórico que tem regado o solo brasileiro com nossas lágrimas, suor e sangue tem em você mais um aliado/a/e. INSTAGRAM



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