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Transformadores

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou Astrofísica. Nasci no Rio de Janeiro e meu amor pela Astronomia começou cedo. Quando criança coleciona reportagens sobre o Universo. No segundo grau, comecei a disputar a Olimpíada Brasileira de Astronomia que abriu muitas portas. Também tive uma experiência fantástica de introdução à pesquisa no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. O programa se chamava Vocação Científica, um antigo convênio entre o CBPF e o Colégio Pedro II. Ser ex-aluna do CPII também é um orgulho. Posteriormente, cursei bacharelado e mestrado em física na UFRJ. Tenho a convicção de que Universidade Pública me proveu a base necessária para voos maiores. Guardo uma eterna admiração pela UFRJ por causa disto. Em 2010, fui um dos cinco ingressantes no doutorado em Astronomia e Astrofísica pela Universidade de Chicago. Ganhei meu diploma do doutora em 2015 e passei a trabalhar como pós-doutoranda na Universidade da Pensilvânia (UPenn). Lá fiz minha transição de gênero e consegui obter respeito da comunidade internacional com o passar dos anos. A UPenn me deu todo suporte para conseguir este feito, o que demonstra que respeito à identidade de gênero é uma questão de humanidade e não de ideologia. Desde de setembro de 2018 trabalho na Universidade do Arizona (UofA) também como pós-doutoranda. A UofA é uma universidade pública num estado conservador e mesmo assim tenho minha identidade respeitada. E no ano de 2019 ganhei um dos meus maiores prêmios: o Leona Woods Lectureship Award Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Realizar tanto o sonho profissional quanto o de identidade foi a maior conquista pessoal. O futuro é incerto, eu talvez venha seguir outro rumo devido a falta de perspectivas na ciência brasileira. Quero voltar ao meu país, mas é muito difícil seguir trabalhando sem concursos e sem investimento. Mas já valeu a pena o que vivenciei na Astronomia. Maiores desafios? Ser contratada como professora concursada sendo abertamente uma mulher transexual. Na Física, não conheço um único exemplo. Na vida pessoal, sonho formar uma família, ser mãe adotiva. Mas tenho que encontrar alguém legal para esta empreitada! Não é fácil. Aprender a se relacionar na nova identidade é bem interessante. Tudo muda, do sexo a conversa. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Tive problemas recentes por causa da minha identidade. É uma luta fazer parte de uma minoria que foi tão marginalizada historicamente. No entanto, sou privilegiada em parte porque fiz minha transição tarde. Desejo que as pessoas não precisem no futuro esperar 30 anos para serem autênticas. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Conheço pouco a realidade brasileira para pessoas transexuais, mas vejo uma evolução positiva desde os anos 2000 independente da ascensão do conservadorismo fanático. Vamos continuar lutando, mostrando nosso talento e capacidade! Liberalismo e Conservadorismo respeitam o trabalho, não existe preconceito que resista quando trabalhamos com dedicação e talento. Vejo nisto um ponto de convergência neste mundo polarizado. Para a sociedade, qual recado você deixaria? É impossível obrigar 220 milhões de pessoas a concordarem em tudo. Todavia, podemos conviver em harmonia nas nossas diferenças. Nossa história demonstra diversas vezes que, unidos, podemos conquistar sonhos civilizatórios até então inimagináveis. Somos uma nação pobre, mas que luta por um sistema único de saúde pública. Vejo nos EUA pessoas desesperadas em busca de acesso a saúde que no Brasil é gratuito, mas que na nação mais rica do planeta é impagável. Também observo estudantes americanos super endividados sendo que nós, brasileiros, construímos durante décadas um sistema universitário público, gratuito e de qualidade. Juntos, nas nossas diferenças, somos gigantes. O ódio nos enfraquece. FACEBOOK LINKEDIN



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