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Transformadores

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Post 155

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou reconhecido como o 1º Guarda Municipal Homem Trans da Cidade do Rio de Janeiro. Superior incompleto – Serviço Social – Escritor e Palestrante. Tenho 53 anos, homens trans que até os 48 anos de idade sofreu tudo que o machismo pode nos infligir de violências. Sempre fui “diferente” e por esse motivo fui expulso de casa, da escola e quase da vida. Na adolescência fui internado em dois manicômios e uma unidade para menores infratores sem nunca ter cometido uma infração, depois me tornei pessoa em situação de rua e andarilho. Aos 16 anos sofri o que hoje conhecemos por estupro corretivo e gestei uma criança que hoje é um homem de 36 anos, casado e pai do meu neto de 3 anos. Profissionalmente trabalhei em tudo que foi possível desde camelô, flanelinha e catador de latinhas até os meus 33 anos quando prestei concurso público para a Guarda Municipal do Rio de Janeiro. Eram 2 mil vagas para 22.065 inscritos e eu fui o 5º colocado, pq dei meu sangue para ocupar esse lugar, de alguma maneira eu sabia que precisava dele para chegar até aqui. Não foram nada fáceis meus anos na Instituição, pois aprendi à duras penas o que é o preconceito institucional e adoeci por causa dele, demorei muitos anos para entender o que acontecia comigo, mas em 2013 após uma palestra do meu amigo/irmão/paizão João W. Nery na cidade onde moro, Maricá, eu me vi pela primeira vez por inteiro e dei início a uma nova jornada. Em 2014 lancei meu primeiro livro “Eu Trans – A Alça da Bolsa – Relatos de um Transexual” (Ed. Metanoia) e passei a conhecer outras pessoas iguais a mim e a ter o privilégio de ser próximo do João, decidi fazer minha transição em 2015 e enfrentar todo tipo de preconceito, não só por mim e pelas minhas dores, mas por todes que passaram ou passam pelo que passei sem saber ao certo o motivo da dor, pois quando estamos sozinhos a gente só sabe que dói. Começou uma luta na Guarda Municipal pelo reconhecimento da minha identidade, pelo uso do nome social e depois para o nome retificado, pelo uso do uniforme, do vestiário e respeito dos pares e superiores, não foi nada fácil, engoli lagoas inteiras cheias de sapos, mas não desisti por saber que hoje, no RJ, ninguém poderá ser dispensado do concurso público por ser trans. Venci boa parte dessa luta e passei a trabalhar com questões de diversidade na âmbito institucional, alcancei a Prefeitura como um todo e fiz a capacitação em diversas Secretarias, principalmente de Saúde, Assistência Social e Segurança. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Devido ao trabalho institucional e com o apoio dos movimentos sociais, participei da Conferência Nacional LGBT 2016 uniformizado como representante da GM Rio e Prefeitura e fui um dos condutores da Tocha Olímpica com a mesma representatividade, além de muitas outras conquistas desde 2014 e premiações. Os desafios ainda são inúmeros, pois a rotatividade no serviço público é grande e o efetivo carioca beira os 300mil entre diretos e indiretos, ativos e inativos. Sinto que o preconceito institucional ainda é uma grande questão, pois por mais que sejam feitos esforços para levar conhecimento aos gestores e desfazer as falácias e estigmas que pairam sobre nós, muitos ainda repetem velhos modelos de gestão e se negam a conhecer o novo. Isso também se deve aos chefes do executivo local e nacional que fomentam a incompreensão e com suas falas colocam em risco centenas de vidas todos os dias. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Dificultador sempre, nunca nada é facilitado, hoje com 22 anos de Instituição vejo colegas de turma galgarem progressões e promoções de carreira que nunca aconteceu comigo, me sinto um tapa buracos, alguém que se sobrar um lugar será convidado para assentar, mas nada disso é capaz de me fazer desistir. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? NÃO DESISTA! Nossas existências são as maiores resistências que podemos demonstrar. Somos capazes como qualquer outra pessoa, mas temos uma função que as pessoas cis em sua maioria jamais terão que é “Abrir caminhos para os que estão por vir” essa é a nossa missão e por isso cada um de nós é muito especial. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Acostumem-se nada voltará ao que era bom para o seu conforto, nós existimos para que nossas diferenças completem o álbum da humanidade, embarquem nessa viagem para não perderem o bonde do futuro que já chegou, ainda dá tempo de sermos HUMANOS para além de rótulos. INSTAGRAM MEU SITE FACEBOOK MEU CANAL NO YOUTUBE



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