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Transformadores

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Post 179

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou formada em publicidade e atualmente redatora e planejadora estratégica. Eu sai de casa aos 18 anos, ainda me identificando enquanto uma pessoa gay e negra. Tive a oportunidade de ingressar em uma universidade de elite por meio do ProUni no curso de publicidade e propaganda. Entre um racismo ali e acolá consegui meu primeiro estágio na Unicamp no departamento de audiovisual da Faculdade de Ciências Médicas. Sou uma sortuda desde o começo, pois meu chefe era um homem gay preto artista e macumbeiro que me impulsionou, foi um excelente mentor. Desejo que todas nós possamos ter pessoas mentoras e guias assim um dia… Esse estágio foi importante, pois em agências tradicionais eu sempre era preterida por pessoas brancas e com “contatos”, então entrar no setor público foi uma forma de hackear e ter uma oportunidade de trabalho. Sempre aproveitei todas as oportunidades que me apareceram, me orgulho disso. Chegando ao final do curso eu precisava de experiência para poder me chamar de redatora, então criei um blog chamado Pirata Cultural, junto de uma amiga. Nesse blog juntamos escritores do Brasil todo para discutir cultura e sociedade brasileira no Medium. Deu muito certo e tive alguns hits por lá, o que me fez confiar na escrita. Já no Trabalho de Conclusão de Curso fizemos uma proposta para uma marca pequena, uma startup que estava começando, e os donos gostaram tanto que eu fui contratada como analista de marketing. Terminei o curso com experiência em redação e edição de textos, além de ser “startupeira”. Em 2018, recém formada e cheia de ideias na cabeça conheci o Ateliê TRANSmoras, uma coletividade de pessoas trans que fomenta arte, moda, cultura e renda para a comunidade. Na época elas estavam saindo de um modelo apenas como coletivo para se estruturar enquanto projeto, e eu apliquei tudo o que sabia – e não sabia – com elas, me tornando uma importante parceira e desenvolvendo o Ateliê enquanto um negócio social. Hoje conseguimos editais e projetos com instituições como SESC, TODXS e CCSP. Atualmente, trabalho em uma multinacional de tecnologia e sou planejadora estratégia do Ateliê, fazendo uma intersecção entre esse trabalho social e o mercado, de forma a não serem excludentes, mas complementares. Vejo que estou no caminho certo quando consigo colocar uma amiga travesti na empresa, ou quando uso design thinking para pensar estratégias para o Ateliê. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Para mim as grandes conquistas é ter sido sempre eu mesma, se alguém me contratou foi por quem eu sou, o pacote completo, nunca me escondi. Tenho também um grande orgulho de ajudar a construir o posicionamento do Ateliê, desde que cheguei conquistamos editais pela primeira vez e estamos nos aprimorando como uma organização sem fins lucrativos que apoia e acelera projetos da comunidade trans. Um grande desafio é ser levada a sério, por vezes nos colocam na caixinha da “diversidade”, como se só pudéssemos falar sobre isso, ocupar esse espaço, e não falar também de negócios, inovação e tecnologia. Outro grande desafio é construir espaços de pertencimento em grupos de diversidade, não me sinto acolhida pelos grupos de mulheres, e pouco representada pelo grupo LGBTQIA+. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Com certeza dificultou, somando-se à questão da raça. Felizmente, acredito que abriu portas em meu último emprego pois eles estavam procurando “representatividade” e eu já era uma profissional formada muito boa no que faço. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Sejam vocês mesmas, e não caiam nas armadilhas da representatividade e história única. Nós não podemos representar uma comunidade inteira, somos plurais, e devemos ter outras pessoas trans ao nosso lado em qualquer espaço. Se isso não for possível, que continuemos construindo nossos próprios projetos e negócios, sempre pensando em nossa autonomia e carreiras em primeiro lugar. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Nós, pessoas trans, podemos fazer qualquer coisa! Podemos ser médicas, doutoras, advogadas, CEOs, presidentas e publicitárias…. Conheçam pessoas trans, nos chamem para almoçar, não digam que nos vê como iguais, pois não é verdade. É na diferença que nos encontramos e tornamos possível construir amplas alianças. Reconheçam e ajam. INSTAGRAM LINKEDIN MEU SITE



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