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Transformadores

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou Analista de Engenharia de Software JR. Antes de me identificar como Trans eu era uma menina Lésbica que desde os 16 anos usava roupas masculinas e tinha o cabelo cortado, esse fato já era considerado um problema nas entrevistas de emprego, as empresas não estão preparadas para chamar uma mocinha para uma vaga de estágio/jovem aprendiz e na entrevista aparecer uma menina de cabelo curto e roupas masculinas. Dito isso, é claro que o início da minha vida profissional não foi nada fácil, nesta época eu iniciei a minha carreira como operador de caixa em um mercadinho da região onde eu morava, com o tempo consegui entrar em uma empresa de call center, cheguei a trabalhar com assistência técnica em uma empresa bacana e voltei ao call center que com toda convicção do mundo é um dos lugares mais confortáveis de se trabalhar para uma pessoa jovem LGBT. Eu pensava que subir de cargo dentro de um Call center era o máximo que eu iria conseguir, eu não conseguia ir em entrevistas de empresas convencionais, tinha medo da reação das pessoas, cheguei inúmeras vezes a chegar na empresa e não entrar por medo dos olhares, eu precisava, mas não conseguia, era perturbador. Passei alguns meses em casa, durante um processo de depressão e nesse período com a ajuda da minha psicóloga e minha família, consegui iniciar a minha transição e a retificação do meu nome foi feita em 2018, desde que o Leonardo se tornou reconhecido as coisas mudaram muito, quando me chamavam em uma seletiva, eles já esperavam um menino e aqueles olhares que me constrangiam tanto mudaram, é claro que eu me esforçava ao máximo para que ninguém percebesse nada de diferente, mas o fato de ser tratado como homem pra mim já era o suficiente para eu conseguir enfrentar as entrevistas, mas minhas oportunidades de trabalho continuam sendo dentro de empresas de Call Center, eu nem tinha ideia de que podia ir além. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Sair de casa pra buscar um emprego já é um desafio, sentar em uma cadeira para realizar uma entrevista é extremamente constrangedor, principalmente antes da retificação do nome, acho que a pior parte é ter que explicar que você gostaria de ser chamado de acordo com o nome social, uma vez eu conversei com uma recrutadora que eu gostaria de ser chamado pelo meu nome social, ela não sabia do que se tratava isso e chamou mais uma pessoa pra entender o que era “aquilo” eu me senti um alienígena. Mas como todos os humilhados um dia vão ser exaltados, em 2020 chegou a minha hora (rs) Minha esposa que trabalhava em uma empresa de tecnologia me inscreveu em um curso, esse curso exigia que eu ficasse sem trabalhar por 3 meses, nesta época eu ganhava liquido R$880,00 reais por mês e esse valor ia fazer muita falta, mas a gente conversou e decidimos, mesmo que as contas atrasem, vamos em frente. Eu fui selecionado, ganhei um auxílio para o transporte e então entrei na Generation, que foi minha escola não só pra me tornar programador, mas foi uma escola da vida, conheci pessoas que assim como eu enfrentavam muitas dificuldades, me reconheci em todas as histórias que eu ouvi durante o curso, senti medo, vontade de desistir e passei noites em claro estudando. Até que me formei, fui contratado pelo maior banco da américa latina como analista de engenharia de Software JR, entrei na faculdade, fiz minha cirurgia (graças ao meu novo emprego) e estou agora na melhor fase da minha vida. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Com certeza teve uma dificuldade maior, mesmo após a retificação do nome as coisas eram bem difíceis, antes de realizar a cirurgia (mastectomia masculinizadora) eu nem conseguia andar de forma confortável, sentia vergonha e com isso a minha confiança para fazer entrevistas ou até mesmo me relacionar nos ambientes de trabalho era mais difícil. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? A primeira coisa é, lutem bravamente para serem reconhecidos e respeitados, por mais que seja burocrático, faça a retificação do seu nome, façam as alterações necessárias para terem confiança e recuperarem o amor-próprio, mesmo que isso demore é importante se olhar e entender que aos poucos você está chegando lá. Segundo, aproveitem as oportunidades, tudo na vida é aprendizado e não existe pra ninguém no mundo vitória sem renúncia, tenha foco e não desista. Terceiro, não se sabotem é possível ter amigos, profissão e relacionamentos, você pode, merece e vai ter tudo isso com certeza, basta se permitir. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Eu gostaria apenas de pedir respeito e dizer aos que ainda não conseguiram descontruir o preconceito enraizado que nós estamos aqui, vamos continuar lutando, ocupando posições e espaço e que vamos com educação, cordialidade e empatia construir um futuro de igualdade para as novas gerações. E meu desejo é que meus filhos e netos consigam desfrutar de um país mais justo, com respeito a todos sem distinção. LINKEDIN INSTAGRAM



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