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Transformadores

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Post 31

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Sou publicitária de formação, atualmente trabalhando para a UHG como Analista Administrativa Plena e, como professora eventual e consultora para a ENS (Escola de Negócios e Seguros). Também atuo como palestrante independente na área de Inclusão & Diversidade. Trabalho desde os 13 anos de idade e antes da minha transição, ocorrida apenas aos 42 anos de idade, tive a oportunidade de trabalhar por 25 anos na iniciativa privada, nos segmentos bancário, portuário e securitário. Por conta da minha vida na identidade masculina, tive possibilidade de me formar, estudar, assumir cargos de liderança e me desenvolver profissionalmente. Após assumir minha transexualidade, fato que ocorreu alguns meses após a saída do meu último emprego com a identidade masculina, estava prestando trabalho free-lance em um escritório de regulação de sinistros. Após anunciar minha decisão, num primeiro momento as coisas foram entendidas e acordadas, mas com o tempo, fatores como uma unha pintada foi apontado como “problema” caso algum cliente fosse ao escritório. Depois de uma discussão sobre o que foi chamado de “viadagem”, deixei de prestar serviços a eles. A busca de emprego tornou-se mais complicada quando comecei meu ativismo dando entrevistas na região. Como trabalhei em posição de destaque no Porto de Santos, minha história ficou conhecida e, talvez por isso, as oportunidades que apareciam me eram negadas por pessoas conhecidas. Desde 2007, sou professora eventual e consultora técnica da Escola de Negócios e Seguros (antiga Funenseg) e, após minha transição, a coordenação técnica e gerencia regional me mantiveram no cargo, respeitando minha identidade e o mérito de todo o histórico profissional que desenvolvi com eles. Em busca de me reinventar, fiz curso profissional de maquiagem e iniciei curso de cabeleireira, entretanto trabalhar como motorista de aplicativo para a Uber e 99 foi o que me segurou financeiramente. Em 2019, após 3 anos formalmente fora do mercado de trabalho, participei de um processo seletivo na UnitedHealth Group junto com pessoas cis e fui aprovada, passando a exercer o cargo de Analista Administrativa Plena, colaborando durante um período como integrante do grupo de diálogo LGBT+ (Pride). Embora não seja uma fonte de renda, também ministro palestras sobre Inclusão e Diversidade, em universidades, empresas e eventos onde sou convidada. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Nesses 3 anos de transição, posso apontar duas conquistas principais: a retificação de meus documentos e a oportunidade de reingressar no mercado de trabalho, com minha identidade devidamente reconhecida e acolhida. Quando se fala em cidadania, esses são sem dúvida nenhuma, dois fatores que nos permitem a sensação de um maior pertencimento social, de colaboração e de produção. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Como minha transição foi tardia e, por ter vindo de uma família de classe média e branca, isso me trouxe maior facilidade de construir uma história profissional, me colocando dessa forma em uma situação de privilégio entre outras pessoas trans, possibilitando hoje ter me recolocado no mercado através do critério mérito. Como nas histórias que conheço de outras pessoas trans, infelizmente em maioria, nossa identidade ainda é um dificultador em geral. Não ocorreu comigo, mas a discriminação e violência experimentada por muitos transgêneros em sua adolescência e juventude interfere muito diretamente na formação educacional e qualificação profissional, fazendo com que isso ainda seja um dificultador para que tenhamos essa população participando de processos seletivos em pé de igualdade. A meritocracia nesses casos, passa a ser um critério não tão justo. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Sejam verdadeiras com vocês mesmas… sempre! Ser quem realmente somos nos torna plenos e com maiores chances de alcançarmos nossos objetivos. Esses objetivos são, sem duvida nenhuma, difíceis para quem “ousa” romper com padrões e paradigmas, mas cada vez mais vemos casos de que é possível acreditar no respeito a nossas identidades. Portanto, seja a sua melhor versão. Faça o seu melhor. Não por alguém ou pela sociedade, mas primeiramente por você. Inspire-se e deixe outras pessoas se inspirarem em você. Juntes somos mais fortes !!! Para a sociedade, qual recado você deixaria? Quanto mais diversa uma sociedade, mais rica ela se torna. Exercitar a empatia e o respeito incondicional pode ser difícil, mas é possível. É um exercício diário, necessário a todos nós. Respeitar o próximo é a melhor forma de demonstrar o amor fraterno apregoado em todas as religiões. Uma mensagem de esperança para a inclusão das pessoas trans, seja no mercado de trabalho ou na sociedade como um todo: inspirem-se na atitude de nossas crianças… de nossos filhos. Tenho uma filha de 11 anos que é a única pessoa da minha família que me respeita e me enxerga em essência. Crianças trazem de nascença o conceito de inclusão e diversidade. Se os adultos não estragarem essa pureza e naturalidade e, ao invés, aprenderem com elas… muito em breve não precisaremos falar sobre inclusão ou minorias. Nossas crianças são a chave para um futuro melhor e mais inclusivo. No dia que o respeito for a palavra de ordem, venceremos enquanto sociedade. INSTAGRAM LINKEDIN SITE FACEBOOK



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