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Transformadores

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Post 90

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Postado:

Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Costumo dizer que sou formado na Faculdade da Vida. Minhas vivências e experiências fazem meu curriculum profissional, quem sou perante e dentro da sociedade. Sou Igor, não binário e amante da diversidade. Me cativa às opções que estão ao nosso alcance de sermos o que quisermos, onde e na hora que preferirmos ser tal. Independente da hora ou lugar, e dependente apenas da vontade. As combinações diárias tornam tudo mais leve, pois o corpo se adapta ao que o coração deseja e a mente projeta. Mediante diversos empecilhos, dentre eles: a falta de autoestima, ausência de motivação externa, ser vítima de assaltado na minha própria casa…, acabaram deteriorando esse sonho de ter uma formação superior. Pois tudo aconteceu, justamente, quando me ingressei na faculdade. Em minha formação de Vida, atuo como cozinheiro, abrangendo todas as áreas de uma cozinha, de auxiliar a Chef. Passei por diversos restaurantes, desde Buffet até à La Carte. Pizzaria, churrascaria, Casa de Portugal, comida contemporânea e gastrobar (comidinhas de bar) fazem parte dessa vasta experiência que comecei a adquirir aos 17 anos. Trabalhei com Chefes que viajaram o mundo, uma delas formada na Le Cordon Bleu Peru. O prazer em trabalhar em restaurantes premiados como um dos melhores restaurantes e chefes da região. Dos pratos que mais gostava de fazer (e comer, lógico rs), o Crème Bruleè. Sou quase formiga por sobremesa, mas, essa, mesmo quem não gosta de doce, aplaude em pé. Hoje, busco novos caminhos e horizontes. Pretendo mudar de profissão e aproveitar minha juventude para ver onde mais me encaixo, além da cozinha. Iniciarei no próximo ano faculdade de administração na Unip – São José do Rio Preto e curso de inglês na Fisk, revezando com Ballet e artes cênicas, minhas paixões. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? Acredito que quem sou me fez ganhar espaço dentro dos lugares por onde passei. Sempre fui muito esforçado, perfeccionista e delicado nos detalhes. Alguém que trata dos relacionamentos interpessoais com respeito, da mesma forma como gosto de ser tratado. Acredito que empatia aliada ao respeito nos fazem mais racionais. Obter a lógica e não colocá-la em prática, não nos faz “melhor”, como devíamos ser. Parece tudo lindo, mas, no decorrer de tantos esforços, sofri Transfobia sim. O pior em relatar, é saber que sofri com isso em um ambiente ao qual me sentia confortável, a escola. Ouvir os colegas planejando em lhe atirar pedras, não soa agradável. Talvez por essa experiência tão cedo aprendi onde entrar, para assim minimizar atitudes como essa que sabia não suportar novamente. Os olhares de julgamento ao caminhar nas ruas, intimidam, afinal, não se sabe o que pode acontecer. Dessa forma, estar atento é crucial, questão de vida ou morte. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Sou adepto à frase: todo detalhe faz a diferença, principalmente os menores. Creio que tudo ajudou em minha trajetória de maneira positiva. Ser uma pessoa intuitiva, amante em observar as atitudes humanas em diferentes circunstâncias. Esse aglomerado de valores me colocou em um lugar de prestígio dentro do nicho que “habito”. Coloco HABITO entre aspas, pois, hoje já não moro mais onde construí admiração e respeito (Cuiabá-MT). Estou no interior de São Paulo, me vejo novamente partindo do zero rumo ao mesmo reconhecimento. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Acredito num amanhã onde seguir nossas decisões e os caminhos que traçamos seja mais fácil. Investir em observar a diversidade ao redor, “enquadrar” dentro daquele meio para então entrar e sair. Não será em todos os lugares que sairemos amados, porém, devemos focar em sairmos respeitados. Costumo dizer que os mesmos direitos que me rege faz parte da política do próximo. O outro tem o direito de não gostar de mim, assim como também tenho o mesmo direito, mas, o respeito é a palavra, ter o senso de não entrar em conflitos desnecessários que não nos levarão para a evolução do amanhã e sim continuar numa retrospectiva que parece nunca acabar. Sejamos os seres humanos do futuro. Para a sociedade, qual recado você deixaria? Somos todos da mesma espécie, se aprendermos a conviver com as diferenças que nos difere, começaremos a aproveitar melhor a vida, e mais cedo. INSTAGRAM FACEBOOK



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