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Transformadores

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Fonte:

05/08/22

Somos Diversidade

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Tenho licenciatura em Pedagogia. Bom minha história profissional se inicia aos 18 anos quando ainda me via apenas como homem gay. Ingressei na faculdade de Pedagogia com o coração na turma de Letras (risos) porém conclui o curso ao qual já estava matriculada. No mesmo ano comecei a estagiar em uma escola perto da minha casa, e foi então que me apaixonei pela educação, com as vivências em sala de aula, a troca de conhecimentos entre meus colegas e eu, etc… Trabalhei 5 anos na mesma escola, ao qual ainda na cidade onde vivia era conhecido como professor. Mas no fundo meu coração faltava algo. Faltava o salto, faltava o cabelo, faltava o vestido, faltava eu ser uma mulher. E foi então que decidi buscar ajuda com um psicanalista. Nem tinha falado a ele esse meu desejo, foi quando ele me perguntou “ Você tem vontade de ser uma mulher ? Pois você para mim é uma mulher inteira, da cabeça aos pés “ , foi a primeira vez que me senti enxergada e não julgada. Demorei um pouco pra aceitar a ideia, sim galera! Ainda não estava empoderada o suficiente, mas não me culpo, no meio em que vivo não havia nenhuma referência, ninguém, nada. Hoje sou assistente administrativa em uma empresa de saúde, recebi proposta para ser supervisora de um setor de mais de 30 pessoas, porém me senti insegura e acabei não aceitando. Estou em processo de transição e tenho amigos que me ajudam bastante nisso, sempre de olho em lugares que possam me atender e realizar um tratamento mais adequado e seguro. Hoje me considero uma pessoa feliz, respeitada pelos meus colegas de trabalho e completa. Quais as maiores conquistas e os maiores desafios em sua vida/carreira? As maiores conquistas sem dúvidas é podermos mostrar que somos capazes sim, inteligentes, instruídas e excelentes profissionais, competindo de igual pra igual. As maiores dificuldades com certeza é você ter que provar que a sua imagem não altera seu intelecto. Padrões conservadores é um grande impedimento. Ser uma pessoa trans foi dificultador ou não teve importância nesta sua trajetória? Ser uma pessoa trans é aceitar entrar no ringue, é saber que terás que tirar forças de onde não se encontra, é ter posicionamento de ideias e ter argumentos sólidos todo o tempo. Distorcer imagem no Brasil não é uma tarefa fácil. Ainda mais sendo preta e tentando ocupar um lugar de prestígio. Para as pessoas e profissionais trans, que recado você deixaria? Você pode muito mais, com dedicação e foco. Dê o seu sangue e mostre até onde você chegou. Suba no pódio do seu sucesso e dê a mão a quem precisa alcançá-lo. Quero dizer que temos a beleza mais linda e diversificadas do mundo. A trans brasileira em primeiro lugar Para a sociedade, qual recado você deixaria? Não se pode prender em uma gaiola um pássaro que nasceu pra voar alto. Educação é diária.



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